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Lula é a chave para interpretar o Datafolha – e não o atentado contra Bolsonaro. Este consolida sua candidatura; Haddad começa a viabilizar a do PT

Ainda que não metabolizada completamente pelo eleitor, a saída de Lula do cenário presidencial explica, em larga medida, as duas principais tendências observadas no Datafolha. O atentado a Bolsonaro causou ampla comoção e especulações variegadas. Mas a ausência de Lula é um fator muito mais relevante para o desenho do novo cenário eleitoral.

Às duas tendências (tendências, não certezas):

A primeira: Bolsonaro consolidou fortemente sua candidatura. É difícil – não impossível – enxergar um cenário em que ele não esteja no segundo turno.

A segunda tendência: começou a transferência de votos de Lula para Haddad. Não na velocidade esperada, visto que Lula ainda não deu o sinal para que Haddad o substitua – isso deve acontecer hoje.

Ainda assim, o crescimento de Haddad é notável e relativamente homogêneo – quanto mais homogêneo, mais saudável. Partindo-se da premissa mais provável de que Lula e o PT não errarão no processo de transferência de votos, Haddad segue com grandes chances de ir ao seguno turno. Nesse caso, com possibilidade real de vencer, se Bolsonaro mantiver altos índices de rejeição. (Os de Haddad são bem mais baixos.) Alguns dados que mostram a subida substantiva de Haddad:

Aspectos secundários da pesquisa:

1) Ciro ganha onde Marina perde. Haddad também ganha. Marina está, ao menos momentaneamente, sendo esquecida pelo eleitorado lulista. Ciro, contudo, sem tempo de TV, estrutura partidária e redes sociais fortes, terá que operar um milagre nas próximas semanas para impedir a transferência de votos de Lula para Haddad. Um milagre para capturar o possível lugar do petista no segundo turno.

2) O fator Amoêdo segue relevante para o desfecho do primeiro turno: subiu de 5% para 8% entre os mais escolarizados. Agora está com 3%. Somando seus 3% aos 3% de Álvaro Dias e aos 3% de Meirelles, desenha-se um cenário em que a fragmentação do voto anti-petista torna a missão de Alckmin ainda mais difícil. Como se viu acima, não está sendo fácil subtrair votos de Bolsonaro no primeiro turno.

3) A notável rejeição a Bolsonaro, a maior entre os candidatos, mantém o entrave para que o candidato vença no segundo caso, se chegar lá. Não é certo que a rejeição atual significaria a derrota dele. Mas, se Bolsonaro não mudar sua estratégia de modo a vencer a resistência de parte do eleitorado, caminhando um pouco que seja para o centro, suas chances serão limitadas, na melhor das hipóteses.

 

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