Temer está tentando carreira como digital influencer? A explicação para os vídeos é mais simples

Para quem conhece e conviveu com Temer, é singela a razão pela qual ele se lançou a divulgar vídeos com ataques a Alckmin e a Haddad. Temer ataca os dois – e quem mais for necessário – para defender seu legado e sua honra. Parece antiquado. Mas é verdade.

Com suas virtudes (sim, Temer tem várias, apesar da caricatura que se faz dele) e seus defeitos, o presidente é um político à antiga. Se representa um velho jeito de fazer política, inclusive nas fortes suspeitas de corrupção e no fisiologismo, representa também os aspectos louváveis desse velho jeito de fazer política. Preza coisas como conciliação, lealdade, civilidade. Não é preciso concordar com as posições de Temer e as políticas do governo dele para reconhecer essas virtudes – essas características.

Trata-se de uma constatação que se perde em meio à busca incessantemente de lacradas nas redes sociais, abafada pelos argumentos epidérmicos de quem quer mudar a política sem entender a natureza dela. A política, e os políticos, são mais complexos do que propagandas eleitorais insistem em asseverar. (Aliás, a mesma constatação, com distinções relevantes, aplica-se a Lula. Desenvolverei esse argumento em outro artigo.)

Como Temer se tornou um presidente tóxico, todos querem distância dele, especialmente nas eleições. Ninguém defenderá o governo dele, mesmo aqueles que participaram do impeachment e embarcaram na administração do peemedebista. Sussurre: PSDB e centrão.

O presidente percebeu que somente ele poderá defender a si e o que considera ser seu legado. Não faz um cálculo eleitoral; faz um cálculo pessoal, ainda que, por definição, seja também um cálculo político.

Na política, como em outras áreas da vida, a explicação mais simples tender a ser mais verdadeira, lembra-nos o velho Occam.

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